top of page

Após reeleição de Lula, Bolsa brasileira despenca, dólar dispara e mercado aciona mecanismo de emergência

Foto do escritor: Gutemberg Araújo
Gutemberg Araújo
há 5 minutos
3 min de leitura

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte reação negativa no mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira (26). O Ibovespa chegou a cair 10% logo na abertura das negociações, acionando o mecanismo de proteção conhecido como circuit breaker. Ao mesmo tempo, o dólar disparou, enquanto as taxas de juros futuros registraram uma forte alta, refletindo a preocupação de investidores com o futuro das contas públicas do país.


O movimento aconteceu após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

Segundo os dados divulgados pela Bloomberg, Lula foi reeleito com 51,8% dos votos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro, contrariando as expectativas de parte dos investidores, que apostavam na vitória do candidato do PL.


A reação foi imediata. O principal índice da Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, recuou 10% na abertura do pregão, provocando a interrupção temporária das negociações.

O chamado circuit breaker é um mecanismo de segurança utilizado pela B3 para suspender temporariamente as operações quando a Bolsa registra quedas muito acentuadas. A medida busca reduzir movimentos de pânico e permitir que os investidores reavaliem suas decisões.


Foi a primeira vez que o mecanismo precisou ser acionado desde 2020, quando a pandemia de Covid-19 provocou uma série de turbulências nos mercados financeiros.

A queda se aprofundou ao longo da manhã. Em uma das atualizações das cotações, o Ibovespa registrava desvalorização de 13,88%, aos 176.608 pontos.


No mercado de câmbio, a reação também foi intensa. O real chegou a perder aproximadamente 11% de seu valor diante do dólar durante as negociações.

Em outra atualização, a moeda americana apresentava valorização de 8,76%, sendo negociada a R$ 5,4155.


Os contratos de juros futuros também dispararam, com algumas taxas de prazo mais longo registrando aumentos próximos de 300 pontos-base, equivalentes a três pontos percentuais.

Diante da volatilidade, a B3 ampliou excepcionalmente os limites de oscilação de determinados contratos negociados no mercado brasileiro.


A preocupação dos investidores está concentrada principalmente na situação fiscal do Brasil, especialmente no crescimento da dívida pública, nas despesas obrigatórias do governo e nas dificuldades para controlar o déficit das contas públicas.

Durante o período eleitoral, parte do mercado financeiro havia apostado em uma possível vitória de Flávio Bolsonaro, diante da expectativa de mudanças na condução da política econômica e de medidas de contenção de gastos.


Com a reeleição de Lula, investidores passaram a reavaliar suas posições e os riscos relacionados à continuidade da política econômica atual.

A reação também atingiu empresas brasileiras negociadas no exterior.


Nas negociações de pré-abertura em Nova York, as ações da XP chegaram a apresentar queda de 52%, enquanto os papéis do Itaú Unibanco recuaram 26%, segundo os dados divulgados pela Bloomberg.

Essas oscilações ocorreram antes da abertura regular do mercado americano e não representam necessariamente os preços de fechamento das ações.


O movimento de desvalorização também alcançou títulos da dívida brasileira negociados em dólar, que apresentaram perdas superiores às registradas por alguns outros mercados emergentes.


A avaliação de analistas internacionais é de que o Brasil enfrentará dificuldades para reduzir os juros enquanto persistirem as incertezas sobre o controle das despesas públicas.


O gestor Peter Varga, da Erste Asset Management, afirmou à Bloomberg que o resultado eleitoral reforçou a necessidade de o país enfrentar seus problemas fiscais nos próximos quatro anos.

Já a estrategista Anna Wu, fundadora da Floodlines Research, avaliou que a reação vai além de um movimento momentâneo, diante dos riscos relacionados à dívida pública e à desvalorização da moeda brasileira.


Após a vitória de Lula, o JPMorgan também revisou suas recomendações para ativos brasileiros, reduzindo a exposição recomendada à moeda e aos juros do país.

Outro fator que preocupa investidores é o tamanho da dívida pública brasileira, que supera 80% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto grande parte do orçamento federal está comprometida com despesas obrigatórias.

Esse cenário limita a capacidade do governo de ampliar investimentos ou reduzir tributos sem aumentar o endividamento.


Apesar da forte queda registrada nesta segunda-feira, o comportamento do mercado nos próximos dias dependerá das sinalizações do governo reeleito, especialmente em relação ao controle dos gastos, à política fiscal e à condução da economia a partir de 2027.

As oscilações registradas durante o pregão também podem mudar até o fechamento das negociações.



Comentários


bottom of page