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Esquema em prefeitura de MT movimentou mais de R$ 90 milhões; polícia investiga até conta de mulher morta

Foto do escritor: Gutemberg Araújo
Gutemberg Araújo
há 23 horas
3 min de leitura

Atualizado: há 8 horas

Esquema em prefeitura de MT movimentou mais de R$ 90 milhões; polícia investiga até conta de mulher morta

Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso identificou movimentações financeiras superiores a R$ 90 milhões em contas bancárias ligadas a um suposto esquema de desvio de dinheiro público na Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento. Entre as irregularidades investigadas estão transações envolvendo a conta de uma mulher que já havia falecido.


A descoberta faz parte da Operação Legado, deflagrada nesta quinta-feira (15), com o objetivo de rastrear o caminho do dinheiro e identificar os possíveis beneficiários de irregularidades ocorridas durante a gestão municipal anterior.


Segundo a Polícia Civil, a investigação envolve uma ex-secretária municipal, empresários e pessoas suspeitas de atuar como intermediárias na movimentação dos recursos.

Ao todo, foram expedidas 30 ordens judiciais contra cinco pessoas físicas e uma empresa. A Justiça também determinou o bloqueio inicial de R$ 15,8 milhões em contas bancárias, além da apreensão judicial de veículos.


Conta de mulher falecida chama atenção dos investigadores


Um dos pontos que mais chamaram a atenção da Polícia Civil foi a identificação de movimentações financeiras envolvendo uma mulher que já estava morta na época das transações investigadas.


Conforme a apuração, ela era mãe do proprietário de um posto de combustíveis que mantinha contrato com a Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento.

A neta da mulher falecida, por sua vez, é proprietária de uma construtora que também possuía contrato com o município.


Os investigadores identificaram que parte dos valores provenientes do posto teria sido transferida de maneira considerada atípica para a construtora.


A Polícia Civil busca esclarecer como o dinheiro circulou entre as contas, quem realizou as operações e se os recursos possuem relação com possíveis desvios de dinheiro público.


Contratos de combustível e reforma de pontes estão sob investigação


As suspeitas envolvem dois contratos firmados pela prefeitura durante a administração municipal anterior.

O primeiro era destinado ao abastecimento da frota de veículos oficiais, por meio de um posto de combustíveis.

O segundo previa serviços de reforma de pontes de madeira no município.


A investigação procura identificar possíveis irregularidades na execução desses contratos e no destino dos valores pagos pela administração pública.

A Operação Legado é conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e investiga suspeitas dos crimes de peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.


A ação é um desdobramento da Operação Liberatio, realizada em 2024 pelo Ministério Público de Mato Grosso, que teve entre seus alvos o então prefeito e secretários municipais.


Justiça bloqueia R$ 15,8 milhões e determina apreensão de veículos


Entre as 30 ordens judiciais autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá estão sete mandados de busca e apreensão e seis autorizações de acesso a dados armazenados em dispositivos eletrônicos.

Além do bloqueio de R$ 15,8 milhões, a Justiça determinou o sequestro de dois carros, uma motocicleta e um caminhão.


A empresa investigada também ficou proibida de participar de licitações e firmar contratos com o poder público, especialmente com a Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento.


As instituições financeiras relacionadas à conta da mulher falecida foram notificadas para impedir sua reativação ou utilização indevida por terceiros.


A Polícia Civil continuará analisando documentos, dados bancários e materiais recolhidos durante a operação para identificar a origem e o destino dos recursos.


Apesar de a investigação apontar movimentações superiores a R$ 90 milhões, esse valor não representa necessariamente o montante efetivamente desviado dos cofres públicos. A quantia corresponde às transações financeiras identificadas nas contas investigadas.


As suspeitas ainda estão sob apuração, e a responsabilidade individual dos envolvidos dependerá da conclusão das investigações e dos procedimentos judiciais.



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