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França tem quase 500 mil pessoas nas ruas em protestos contra custo de vida e crise na educação

Foto do escritor: Gutemberg Araújo
Gutemberg Araújo
há 10 horas
3 min de leitura
França tem quase 500 mil pessoas nas ruas em protestos contra custo de vida e crise na educação

A França viveu um sábado (31) de grandes manifestações populares, com milhares de pessoas ocupando ruas e avenidas de diversas cidades para protestar contra o aumento do custo de vida, os problemas na educação e a deterioração dos serviços públicos. Segundo os organizadores, quase 500 mil pessoas participaram dos atos em todo o país. O governo francês, entretanto, apresentou números menores e confirmou mais de 290 prisões.


As manifestações foram realizadas em várias regiões da França, incluindo Paris, Toulouse, Marselha, Bordeaux, Lyon, Lille e Nantes. A mobilização foi organizada principalmente por movimentos juvenis, entidades estudantis e sindicatos.


De acordo com uma coalizão de organizações estudantis e sindicais, aproximadamente 500 mil manifestantes participaram dos protestos, sendo cerca de 200 mil somente em Paris.

Já o Ministério do Interior francês e as autoridades policiais estimaram a participação de 320 mil pessoas em todo o país, incluindo 70 mil na capital.


A diferença entre os números apresentados pelo governo e pelos organizadores é comum em grandes manifestações, já que cada grupo utiliza seus próprios critérios de contagem.


O movimento começou com estudantes do ensino médio que reclamavam da piora das condições das escolas e da qualidade do ensino. Entretanto, a insatisfação ganhou força e passou a reunir outras reivindicações, principalmente relacionadas à economia e aos serviços oferecidos à população.


Entre as principais reclamações estão o aumento dos preços, as dificuldades financeiras enfrentadas pelas famílias e a necessidade de mais investimentos em educação.


Protestos registram confrontos e mais de 290 prisões



Embora a maior parte das manifestações tenha ocorrido de maneira pacífica, algumas cidades registraram confrontos entre grupos de manifestantes e forças de segurança.

Houve episódios de tensão em Toulouse, Marselha e Paris, além de registros de distúrbios em outras regiões.


Segundo o Ministério do Interior, grupos considerados radicais tentaram promover atos de vandalismo e saques em diferentes cidades após o encerramento de algumas passeatas.

Mais de 290 pessoas foram presas durante as mobilizações, conforme informações divulgadas pelas autoridades francesas.


O governo havia preparado uma grande operação de segurança para acompanhar as manifestações, diante da preocupação com possíveis confrontos e danos ao patrimônio.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que as autoridades estavam preparadas para enfrentar situações de risco e que a maioria dos protestos ocorreu dentro das áreas previamente autorizadas.

Apesar disso, ele criticou a atuação de grupos envolvidos em episódios de violência.


Estudantes prometem novas manifestações em novembro


A mobilização deste sábado pode não ser a última.

Organizações estudantis anunciaram novas ações para os próximos dias, incluindo paralisações e bloqueios de escolas e universidades.


A intenção é pressionar o governo francês por mudanças no sistema educacional, melhores condições de aprendizagem e ampliação dos investimentos públicos.

Também está prevista uma manifestação para o dia 5 de novembro, convocada por trabalhadores e sindicatos.


Os estudantes pretendem participar dessa mobilização para ampliar a pressão sobre as autoridades.


Economia francesa também enfrenta dificuldades



Os protestos acontecem em um momento de preocupação com o desempenho da economia francesa.

Dados divulgados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) indicaram uma retração de 0,1% no terceiro trimestre de 2026, contrariando a expectativa de crescimento de 0,1% apontada por analistas consultados pela Reuters.


O resultado reforçou as preocupações sobre o cenário econômico do país, especialmente diante das reclamações da população sobre o aumento dos preços e as dificuldades para manter o orçamento familiar.

A insatisfação não está restrita à França.


Na Alemanha, milhares de pessoas também participaram de manifestações neste sábado, em um movimento liderado principalmente por jovens.

Os protestos alemães foram organizados pelo grupo Gen Z regelt, que defende melhorias na educação, medidas para enfrentar o custo de vida e se posiciona contra o serviço militar obrigatório.


As mobilizações estavam previstas para 34 cidades, incluindo Berlim, Frankfurt e Munique.

Apesar da expectativa de uma participação maior, os números iniciais divulgados pelas autoridades ficaram abaixo do total previsto pelos organizadores.


Onda de protestos ganha força na Europa


As manifestações na França e na Alemanha fazem parte de um movimento mais amplo de mobilização juvenil registrado em diferentes países europeus ao longo de 2026.

Em comum, os participantes demonstram preocupação com o futuro econômico, as oportunidades de trabalho, a qualidade da educação e o acesso a serviços públicos.


Na França, o tamanho das manifestações deste sábado mostra que a insatisfação ultrapassou o ambiente escolar e passou a reunir diferentes setores da sociedade.

Com novos atos já anunciados para novembro, o governo francês deverá continuar enfrentando pressão popular nas próximas semanas.



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