top of page

História do Município de Juína

  • Foto do escritor: Gutemberg Araújo
    Gutemberg Araújo
  • 28 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura
Juína MT
Juína Mato Grosso

Introdução


Juína é um município localizado no noroeste do Estado de Mato Grosso e representa um dos exemplos mais notáveis de cidades planejadas na região amazônica brasileira. Sua origem está diretamente ligada a programas oficiais de colonização e ocupação produtiva da Amazônia, estabelecidos tanto pelo Governo Federal quanto pelo Governo do Estado de Mato Grosso. Hoje, Juína se consolida como polo regional da Região de Planejamento I (RP Noroeste), integrando os municípios de Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juruena e Rondolândia.


1. Caracterização Geral


Juína surgiu como resultado do Projeto Juína, um programa de desenvolvimento regional coordenado pela Companhia de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso (CODEMAT) e inserido no contexto do Polamazônia – Programa Nacional de Integração Produtiva da Amazônia, cujo objetivo era a ocupação racional e produtiva da região amazônica.

A localização geográfica da cidade é estratégica, mas também impõe desafios significativos para seu desenvolvimento. O município encontra-se afastado dos principais centros de consumo e corredores de exportação, tornando essencial a criação de infraestrutura adequada, especialmente rodovias, para assegurar a competitividade de seus produtos no mercado nacional e internacional.


No período de implementação do Projeto Juína, obras como a BR-163 (Cuiabá-Santarém) e a Rodovia Transamazônica estavam em execução, bem como a organização fundiária das áreas de influência direta, conduzida pelo INCRA. Esse contexto demonstrava a viabilidade operacional e a vontade política de integrar a Amazônia ao restante do país, atraindo empresários, cooperativas e trabalhadores de diferentes regiões do Brasil para a criação de um novo polo econômico.


Contudo, a descontinuidade do programa resultou em desafios estruturais e na dificuldade de consolidação de Juína como centralidade urbana macro-regional. Recentes esforços estratégicos nacionais têm retomado a questão da ocupação da Amazônia, agora com ênfase em sustentabilidade ambiental, integrando desenvolvimento econômico à preservação ambiental.


2. Dados Gerais de Juína


O município possui características que o tornam um polo atrativo na região noroeste de Mato Grosso. Seguem alguns indicadores:

Indicador

Valor

Ano de Criação

1982

Distância de Cuiabá

737 km

Área Geográfica

26.415,68 km²

População (2000)

38.017 habitantes

População (2004)

39.064 habitantes

Taxa de Crescimento Anual (2000-2004)

0,68%

Taxa de Urbanização (2000)

80,19%

Número de Eleitores (2004)

25.647

Taxa de Mortalidade Infantil (1999)

26,85%

Taxa de Analfabetismo (2000)

13,90%

Rendimento Médio Mensal do Chefe de Família

R$ 4,74

Taxa de Domicílios com Abastecimento de Água (2000)

22,50%

IDH (1991)

0,666

IDH (2000)

0,749

Ranking IDHM

47

População Economicamente Ativa (2000)

18.879

Taxa de Ocupação

94,44%

Taxa de Desemprego

5,56%

Além desses indicadores, a economia local é predominantemente voltada para o setor extrativo e agropecuário, seguido pelos setores de serviços e indústria. Apesar de seus problemas urbanos serem relativamente pequenos, os desafios de ordenamento territorial e infraestrutura ainda limitam o pleno desenvolvimento da cidade.


3. Aspectos Históricos


A história de Juína está profundamente ligada à ocupação oficial da Amazônia, seguindo uma lógica de planejamento e legalidade, e não de invasão ou ocupação informal. A cidade foi criada como resultado de um chamamento oficial do Governo Federal e do Governo do Estado, convidando cidadãos, empresários e cooperativas de diversas regiões do Brasil a participarem de um processo patriótico de colonização produtiva.

Entre 1500 e 2000, a cultura brasileira concentrou-se principalmente no litoral. Juína, no entanto, representa a construção da cultura do Brasil Continental, ampliando o território produtivo do país e consolidando o lema: “Integrar para não entregar”, que hoje se alia aos princípios da sustentabilidade em suas dimensões social, econômica, ambiental e institucional.


A crise no desenvolvimento regional decorre, sobretudo, da descontinuidade das ações governamentais, e não da iniciativa privada. Infraestruturas essenciais, como rodovias de ligação, fornecimento de energia elétrica e planejamento territorial, sofreram atrasos consideráveis. Documentos históricos e registros, como filmes em 16 mm sobre o projeto, evidenciam o esforço inicial de integração da região.


A posição geográfica de Juína, embora estratégica, ainda representa um desafio para a integração competitiva com os mercados nacionais e internacionais. A construção de uma malha viária eficiente é considerada essencial para conectar Juína aos demais municípios da RP Noroeste e aos portos de exportação, seja via Santarém, Porto Velho, Itacoatiara ou, futuramente, Rio Branco e portos do Pacífico.


4. Juína como Polo Regional


Juína se destaca como o polo regional da RP Noroeste, influenciando economicamente municípios vizinhos como Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juruena e Rondolândia. No entanto, a integração regional ainda enfrenta dificuldades, como o acesso limitado a Rondolândia, que exige um trajeto de 630 km passando pelo Estado de Rondônia, apesar da distância em linha reta ser de apenas 354 km.


O fortalecimento do município depende da implementação de planos diretores urbanos participativos, infraestrutura de transporte adequada, investimentos em saneamento básico e políticas públicas voltadas à educação e à geração de emprego e renda.


Conclusão


A história de Juína é um exemplo marcante de planejamento, patriotismo e desenvolvimento regional estratégico. Nascida de um programa oficial de colonização e ocupação produtiva, a cidade é resultado de um esforço conjunto entre Governo e iniciativa privada, destacando-se como um polo econômico, social e cultural do noroeste mato-grossense. O futuro de Juína está intimamente ligado à consolidação de infraestrutura, integração regional e sustentabilidade ambiental, reafirmando seu papel na construção de um Brasil continental, integrado e produtivo.

Comentários


bottom of page