Mato Grosso dispara na produção de etanol de milho e deve fabricar mais de 7 bilhões de litros; veja o impacto na economia


Mato Grosso deve alcançar a marca de 7,33 bilhões de litros de etanol de milho na safra 2026/2027, concentrando mais de 61% de toda a produção brasileira desse biocombustível. A projeção coloca o estado em posição de destaque nacional e mostra como a industrialização do milho está transformando a economia mato-grossense.
Os números são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que estima um crescimento de 18,67% na produção de etanol de milho em comparação com a safra anterior. Caso a previsão se confirme, Mato Grosso responderá por 61,62% da produção nacional, consolidando sua liderança no setor.
O crescimento é impulsionado principalmente pela grande oferta de milho produzido no estado, especialmente durante a segunda safra, e pela expansão das indústrias que transformam o cereal em combustível.
Atualmente, Mato Grosso possui 19 usinas de etanol em funcionamento, distribuídas por 17 municípios. Outras três unidades estão em fase avançada de implantação e têm previsão de iniciar as atividades até dezembro de 2027.
Com a ampliação da estrutura industrial, a quantidade de milho destinada à fabricação de etanol também deverá aumentar. Segundo o Imea, as usinas mato-grossenses poderão processar 16,36 milhões de toneladas do cereal na safra 2026/2027, um crescimento de 18,52% em relação ao ciclo anterior.
Na prática, isso significa que uma parcela cada vez maior do milho produzido em Mato Grosso poderá ser industrializada dentro do próprio estado, em vez de ser transportada diretamente para outros mercados.
A expansão representa uma oportunidade para os produtores rurais, que passam a contar com mais compradores próximos das áreas agrícolas. A presença das usinas também pode reduzir a necessidade de transportar parte da produção por longas distâncias, diminuindo custos logísticos e ampliando as possibilidades de comercialização.
O impacto vai além das lavouras. A indústria de etanol movimenta setores como transporte de cargas, armazenamento de grãos, manutenção de equipamentos e prestação de serviços especializados, criando oportunidades econômicas nos municípios que recebem esses investimentos.
Um dos marcos dessa transformação ocorreu em 2017, em Lucas do Rio Verde, com a implantação de uma unidade industrial dedicada à produção de etanol a partir do milho. Desde então, o setor ganhou força e atraiu novos empreendimentos para diferentes regiões de Mato Grosso.
Além do combustível, o processamento do milho permite a obtenção de coprodutos utilizados na alimentação animal, fortalecendo a integração entre agricultura, indústria e pecuária.
Apesar das perspectivas positivas, o crescimento também exige atenção aos impactos ambientais. O consumo de água, a origem da energia utilizada pelas usinas e as práticas adotadas na produção agrícola são fatores importantes para avaliar a sustentabilidade da atividade.
Se as projeções do Imea forem confirmadas, Mato Grosso deverá produzir mais de seis em cada dez litros de etanol de milho fabricados no Brasil na safra 2026/2027. O resultado reforçará o papel do estado não apenas como grande produtor de grãos, mas também como um dos principais polos industriais de biocombustíveis do país.
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