Médico é indiciado após pacientes ficarem com sequelas permanentes em cirurgias plásticas em Barra do Garças


Um médico foi indiciado pela Polícia Civil de Mato Grosso após uma investigação envolvendo quatro mulheres que relataram complicações em cirurgias plásticas realizadas em Barra do Garças. Laudos periciais identificaram sequelas permanentes em duas pacientes. O profissional também é investigado por suspeita de omitir uma informação importante no prontuário médico de uma das mulheres.
A investigação foi conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças, município localizado na região leste de Mato Grosso. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário, com indiciamento do médico pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica.
Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram depois que quatro pacientes procuraram a delegacia para denunciar problemas após procedimentos estéticos, principalmente realizados em 2023.
Entre as cirurgias investigadas estão redução e levantamento das mamas, colocação e substituição de próteses mamárias e lipoaspiração.
As mulheres relataram complicações como dores persistentes, dificuldades de cicatrização, cicatrizes e alterações no resultado dos procedimentos. Uma das pacientes afirmou ter enfrentado problemas após duas intervenções cirúrgicas, realizadas em 2023 e 2024.
Durante a investigação, os policiais ouviram as quatro mulheres e reuniram prontuários médicos, documentos hospitalares, fotografias, exames e laudos produzidos pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
As perícias confirmaram sequelas permanentes em duas pacientes. Em um dos casos, foram identificadas cicatrizes e deformidades com comprometimento estético. No outro, os exames apontaram alterações permanentes nas mamas e nos mamilos.
Nos outros dois casos, os laudos não confirmaram lesões corporais conforme os critérios técnicos utilizados pelos peritos.
A investigação também identificou indícios de uma possível irregularidade no preenchimento do prontuário médico de uma das pacientes.
De acordo com a Polícia Civil, durante um procedimento para retirada de uma prótese mamária, o implante teria se rompido. Entretanto, essa informação não teria sido registrada no relatório cirúrgico.
Os investigadores analisaram documentos médicos, declarações da paciente e o material apresentado para exame. Embora a perícia não tenha comprovado uma relação direta entre o rompimento da prótese e as dores relatadas pela mulher, a autoridade policial apontou indícios de omissão de informação relevante no prontuário.
O médico negou ter cometido negligência, imprudência ou imperícia. Em depoimento, afirmou que as complicações poderiam estar relacionadas às características individuais das pacientes, aos riscos dos procedimentos e ao processo de cicatrização.
O profissional também declarou que ofereceu acompanhamento após as cirurgias e que se colocou à disposição para realizar procedimentos reparadores quando necessário.
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil formalizou o indiciamento e encaminhou o caso ao Poder Judiciário.
O Ministério Público deverá analisar os elementos reunidos para decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia.
O indiciamento não representa uma condenação. A responsabilidade criminal do médico ainda dependerá das próximas etapas do processo e de eventual decisão judicial.
Até o momento, o nome do profissional não foi informado no material divulgado.
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