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Opinião - A visão de Renan Santos sobre Mato Grosso

  • Foto do escritor: Gutemberg Araújo
    Gutemberg Araújo
  • 16 de jan.
  • 2 min de leitura
Renan Santos Mato Grosso
Renan Santos

Quando eu falo do que o Renan Santos pensa sobre Mato Grosso, não é colocando palavras na boca dele, mas juntando o que ele repete em entrevistas, lives e textos ao longo do tempo. E a leitura é mais ou menos clara.


Pra ele, Mato Grosso é um dos estados mais importantes do Brasil hoje. Um motor econômico real, puxado pelo agronegócio, pelas exportações e pela produção em larga escala. Renan reconhece isso sem dificuldade. Nunca foi alguém que demonizou o agro ou tratou o produtor como vilão.


O incômodo começa em outro ponto.


Na visão do Renan, Mato Grosso é um exemplo clássico de lugar onde a economia anda rápido, mas a política ficou pra trás. Muito dinheiro circulando, muita gente produzindo, mas o poder concentrado nos mesmos grupos, nas mesmas famílias, nos mesmos arranjos que se repetem há décadas.


Ele costuma separar bem as coisas: produzir não é problema. O problema é quando parte do setor produtivo vira dependente de Estado, de subsídio eterno, de incentivo feito sob medida, de proteção política. A crítica não é ao pequeno ou médio produtor que trabalha certo, mas a um sistema que cria privilégios e trava a concorrência.


Quando fala de política local, Renan sempre bate na tecla da falta de renovação. Estados como Mato Grosso, segundo ele, acabam presos a uma lógica de centrão regional: muda o discurso, muda o partido, mas o jeito de governar continua igual.


Na pauta ambiental, a leitura dele passa longe de extremos. Ele rejeita tanto o ambientalismo militante quanto o discurso de que vale tudo. Crime ambiental é crime, ponto. Ao mesmo tempo, quem produz dentro da lei não pode ser tratado como bandido nem pagar a conta de quem age fora dela.


Talvez o ponto mais sensível seja a relação de Mato Grosso com o bolsonarismo. Renan enxerga o estado como um exemplo de região onde a direita ficou muito personalista. Pra ele, depender de uma única liderança enfraquece qualquer projeto político. Sem instituição, sem sucessão, sem projeto de longo prazo, a direita vira torcida.


É nesse contexto que Mato Grosso aparece como estratégico no discurso dele. Não porque esteja tudo errado, mas porque existe espaço pra algo novo. Um eleitorado produtivo, jovem em parte, que não se identifica nem com o PT nem com o bolsonarismo, e que também já começa a demonstrar cansaço da política tradicional.


No fim das contas, a visão do Renan sobre Mato Grosso não é de ataque ao estado, mas de crítica ao modelo político que se consolidou ali. Ele vê um gigante econômico que ainda não decidiu se quer continuar repetindo as mesmas estruturas de poder ou se está disposto a abrir espaço para uma nova forma de fazer política.


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