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Os pioneiros de Conquista D’Oeste (MT): a história de quem desbravou e construiu o município

  • Foto do escritor: Gutemberg Araújo
    Gutemberg Araújo
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
Conquista D’Oeste (MT)
Conquista D’Oeste (MT)

A história de Conquista D’Oeste, no interior de Mato Grosso, é marcada pela coragem, resistência e espírito coletivo de homens e mulheres que enfrentaram dificuldades para transformar uma área isolada em um município estruturado.


Antes da emancipação política, oficializada pela Lei Estadual nº 7.233, de 28 de dezembro de 1999, o território pertencia a Pontes e Lacerda. A distância de cerca de 100 quilômetros do município-mãe dificultava o acesso a serviços básicos, como saúde, educação e manutenção de estradas, o que impulsionou o desejo de independência administrativa.


O início: a ocupação da terra em 1985


A origem da cidade remonta a 1985, quando a região ainda era composta por terras pouco exploradas. Foi nesse período que o trabalhador rural Eliúde Alves da Silva, conhecido como Léu, percebeu o potencial agrícola da área e decidiu iniciar um processo de ocupação.


Determinando-se a mudar aquela realidade, Léu buscou apoio na região da Serra da Borda e reuniu famílias interessadas em cultivar a terra. Paralelamente, Antônio Severino também liderava outro grupo de ocupantes. Assim, formaram-se dois núcleos: um às margens direitas da BR-174 e outro no lado oposto.


Com o passar do tempo, começaram a surgir os primeiros barracos e a divisão dos lotes, dando início à formação da comunidade.


Conflitos e resistência


O processo de ocupação não ocorreu sem dificuldades. Em determinado momento, trabalhadores foram surpreendidos por ações policiais, sendo detidos sob acusação de ocupação irregular.


Entre os envolvidos estavam Luiz Baciga, Deusdete de Arruda, Antônio Severino e o próprio Léu, que chegou a permanecer preso por mais tempo. A situação só foi revertida com apoio político, especialmente do deputado estadual José Lacerda, além da atuação do advogado Dr. Sinomar Resende Silva, que garantiu a libertação dos ocupantes.

A partir desse episódio, a permanência das famílias na terra foi assegurada, fortalecendo ainda mais o movimento de ocupação.


Desenvolvimento e chegada de novas famílias


Com a segurança de permanência, a comunidade começou a crescer. A fertilidade do solo atraiu novos moradores, como Odélio de Freitas, que se mudou com a família após reconhecer o potencial agrícola da região.

A economia local passou a se desenvolver principalmente com o cultivo de banana, além da agricultura de subsistência.


Educação e organização social


Com o aumento da população, surgiu a necessidade de estrutura básica. Em 1987, as primeiras iniciativas educacionais começaram de forma simples:

  • Dorvalina Nunes passou a dar aulas em um barraco próximo à sua casa

  • Maria José da Silva, filha de Zé Lagoa, também iniciou atividades de ensino na comunidade

Já em 1988, os moradores criaram uma associação para organizar as demandas locais e buscar melhorias junto ao poder público.


O surgimento da vila


Ainda em 1988, nasceu a ideia de transformar a ocupação em uma vila organizada. Durante reuniões comunitárias, lideradas por nomes como Onório Braga e Odélio de Freitas, foi definido o nome:

➡️ Conquista D’Oeste

O nome simboliza:

  • “Conquista”: pela ocupação pacífica e pelo esforço coletivo

  • “D’Oeste”: pela localização geográfica na região Centro-Oeste


Com apoio do então prefeito de Pontes e Lacerda, Dauri Mariano, e do governador Carlos Bezerra, foram realizados trabalhos de demarcação, abertura de ruas e planejamento urbano.


A primeira casa construída na vila foi a do senhor Levino, em dezembro de 1988 — uma residência pré-fabricada, considerada um marco na comunidade.


Solidariedade e construção comunitária


O desenvolvimento da vila contou com a doação de terras por pioneiros:

  • Chico Sardinha, que doou área para a igreja

  • Froilaz da Silva Murtinho (Vaz), também colaborador importante

A igreja foi dedicada a São Francisco de Assis, padroeiro do município.


Crescimento político e emancipação


Nos anos seguintes, a comunidade ganhou força política. Em 1991, o empresário Walmir Guse chegou à região e passou a investir no local.

Ele foi eleito vereador por Pontes e Lacerda em 1992 e reeleito em 1996, tornando-se uma das principais lideranças na luta pela emancipação.

O sonho se concretizou em 1999, com a criação oficial do município, após articulação política envolvendo:

  • Deputado estadual José Riva

  • Ex-deputado José Lacerda

  • Lideranças locais


Primeira eleição e consolidação


Em 2000, ocorreu a primeira eleição municipal. Walmir Guse foi eleito prefeito com 922 votos, tendo como vice Dorvalina Nunes.

Também foram eleitos os primeiros vereadores, consolidando a estrutura política do novo município.


Legado dos pioneiros


A história de Conquista D’Oeste é um exemplo claro de como a determinação de um grupo de pessoas pode transformar uma região esquecida em um município ativo.

Os pioneiros não apenas ocuparam a terra — eles construíram:

  • moradias

  • escolas

  • organização social

  • identidade cultural


Mais do que isso, deixaram um legado de luta, união e desenvolvimento que segue presente até hoje.


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