Servidor que amputou o próprio pé para tentar receber R$ 1,5 milhão em seguros é condenado na Bahia
- Gutemberg Araújo

- há 2 dias
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Funcionário público simulou sequestro, forjou mutilação e tentou aplicar golpe milionário em quatro seguradoras, mas perícia revelou fraude

Um servidor público federal de 26 anos foi condenado por estelionato após arquitetar uma fraude milionária contra quatro seguradoras na Bahia. O homem, que trabalhava na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), no município de Amélia Rodrigues, chegou a amputar o próprio pé direito para tentar receber cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações por invalidez permanente, mas acabou desmascarado pelas investigações.
O caso teve um novo desdobramento após o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) rejeitar um recurso da defesa que tentava levar o processo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Com a decisão, a condenação foi mantida e o servidor iniciou o cumprimento da pena de dois anos em regime aberto, além de medidas restritivas de direitos, em maio deste ano.
De acordo com a investigação, entre junho e julho de 2019, o servidor contratou quatro apólices de seguro de vida e acidentes pessoais junto às seguradoras Allianz, Zurich, Tokio Marine e Sompo. Somados, os contratos garantiam até R$ 1,5 milhão em caso de invalidez causada por acidente.
Pouco mais de um mês após contratar os seguros, ele apareceu com o pé amputado e registrou boletim de ocorrência alegando ter sido vítima de um sequestro em Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano. Segundo sua versão, criminosos armados o abordaram após sair de uma unidade de saúde e cortaram seu pé com um facão durante o assalto.
A história, no entanto, começou a ruir após exames periciais. Laudos médicos apontaram que os ferimentos não eram compatíveis com um ataque violento e indicaram que a amputação apresentava características de um procedimento cirúrgico, sugerindo participação de alguém com conhecimento médico.
Outro detalhe chamou atenção dos investigadores: a mochila do servidor foi encontrada próxima ao local com todos os pertences intactos, algo incompatível com a versão de assalto. Além disso, não houve qualquer pedido de resgate, o que enfraqueceu ainda mais a narrativa apresentada à polícia.
Na decisão judicial, o desembargador Julio Cezar Lemos Travessa destacou a sequência suspeita dos fatos, principalmente a contratação de quatro seguros em curto intervalo de tempo e os valores incompatíveis com a renda do acusado.
Segundo as investigações, o esquema foi identificado por sistemas internos de inteligência das próprias seguradoras, com apoio de uma consultoria especializada em fraudes e atuação da Polícia Civil da Bahia e do Ministério Público estadual.
O caso chamou atenção nacional pelo nível extremo do golpe planejado e pelo fato de o próprio acusado ter provocado uma mutilação permanente na tentativa de obter o pagamento das indenizações.
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