Vice-prefeito de cidade de MT é alvo de denúncia por renda de até R$ 92 mil e pagamentos a familiares; veja quem é


Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) levanta suspeitas sobre o recebimento de até R$ 92 mil mensais pelo vice-prefeito de Peixoto de Azevedo, no norte do estado. A representação também questiona pagamentos feitos a empresas ligadas a familiares do político e possíveis conflitos de interesses na gestão da saúde pública municipal.
O alvo da denúncia é José Agnaldo Paranhos Souto (PRD), médico e vice-prefeito de Peixoto de Azevedo, município localizado a aproximadamente 674 quilômetros de Cuiabá.
A representação, assinada na sexta-feira (16), solicita que o Ministério Público investigue possíveis irregularidades relacionadas ao acúmulo de funções remuneradas, à prestação de serviços médicos e à contratação de familiares pela Associação Filantrópica de Saúde Santa Maria, responsável pela gestão de unidades de saúde do município.
Segundo os denunciantes, a soma dos rendimentos atribuídos ao vice-prefeito, incluindo o mandato político e atividades profissionais, chegaria a aproximadamente R$ 82 mil por mês, valor que teria aumentado para R$ 92 mil em janeiro de 2026, após reajustes.
Esses valores ainda dependem de verificação, assim como a compatibilidade entre as jornadas de trabalho e as funções exercidas.
Entre os documentos apresentados estão nove notas fiscais que totalizam R$ 109.666,68, referentes a serviços médicos prestados entre agosto e dezembro de 2025. Embora José Agnaldo apareça como responsável pelos atendimentos, os pagamentos teriam sido realizados por meio da empresa Luana Todescatto Eller Ltda., pertencente à esposa dele.
Conforme a denúncia, o médico teria justificado a utilização da empresa da mulher por problemas relacionados à sua própria pessoa jurídica. Os autores da representação pedem que o Ministério Público esclareça essa situação e verifique a regularidade dos pagamentos.
A documentação também menciona possíveis vínculos profissionais do vice-prefeito com o Hospital Regional de Peixoto de Azevedo, a Secretaria Municipal de Saúde e o Serviço de Atendimento Especializado (SAE), incluindo plantões médicos e funções administrativas.
Para esclarecer se houve sobreposição de horários ou incompatibilidade entre as atividades, os denunciantes solicitam a análise de escalas de plantão, registros de ponto, prontuários e compromissos oficiais.
Pagamentos a familiares também são questionados. Segundo a representação, valores atribuídos à empresa da esposa do vice-prefeito teriam alcançado R$ 56.375 em três meses, incluindo uma nota fiscal de R$ 16.375 referente a setembro de 2026.
Uma irmã de José Agnaldo também é mencionada na denúncia por um suposto pagamento de R$ 7 mil, em agosto, relacionado a serviços farmacêuticos e à responsabilidade técnica de uma farmácia.
Já uma nota fiscal atribuída ao cunhado do vice-prefeito aponta pagamento de R$ 16.250 pela atuação como segundo médico de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), sem detalhamento da quantidade de plantões realizados.
Outro ponto levantado é que José Agnaldo teria assumido, em maio de 2026, por determinação judicial, a gestão do contrato entre o município e a Associação Santa Maria. Os denunciantes querem saber se ele participou da fiscalização ou administração do acordo enquanto a entidade realizava pagamentos relacionados aos seus serviços e aos de familiares.
A representação solicita ao Ministério Público a obtenção de contratos, documentos financeiros, comprovantes de pagamento e notas fiscais, além de auditoria das jornadas de trabalho e depoimentos dos envolvidos.
É importante destacar que as informações apresentadas fazem parte de uma denúncia e ainda precisam ser apuradas. Os documentos mencionados não comprovam, por si só, favorecimento de familiares, pagamentos indevidos ou qualquer irregularidade praticada pelo vice-prefeito.
O caso surge em meio a outra investigação envolvendo a saúde pública de Peixoto de Azevedo.
No início de outubro, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve o bloqueio de bens do prefeito Nilmar Nunes de Miranda, até o limite de R$ 1,55 milhão, além de seu afastamento de funções relacionadas à saúde municipal.
Essa investigação trata de suspeitas envolvendo a contratação e a execução de serviços da UPA 24 horas e do Pronto Atendimento União do Norte.
As medidas judiciais contra o prefeito são preventivas e não representam condenação. Da mesma forma, a denúncia envolvendo o vice-prefeito deverá passar pela análise das autoridades competentes antes de qualquer conclusão sobre eventuais responsabilidades.
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