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Estudo associa calor extremo ao aumento de doenças do coração em Mato Grosso

  • Foto do escritor: Oeste MT Urgente
    Oeste MT Urgente
  • 4 de jan.
  • 3 min de leitura
doenças do coração em Mato Grosso

O calor intenso e a baixa umidade do ar, características frequentes em regiões agrícolas de Mato Grosso, representam mais do que um desconforto cotidiano. Eles estão diretamente associados ao aumento de internações e mortes por doenças cardiovasculares, especialmente entre a população idosa. Essa é a principal conclusão de um estudo realizado nos municípios de Alta Floresta e Tangará da Serra, que analisou dados climáticos e de saúde ao longo de quase uma década.


A pesquisa, intitulada “Desconforto térmico e sua relação com internações e óbitos por doenças cardiovasculares na população adulta de municípios agrícolas do Mato Grosso”, foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e publicada na Revista Brasileira de Climatologia. O trabalho avaliou o período entre 2013 e 2022, cruzando informações meteorológicas — como temperatura, umidade do ar e precipitação — com registros de internações hospitalares e óbitos por doenças do aparelho circulatório atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


Os resultados mostram que os impactos sobre a saúde cardiovascular se intensificam nos períodos de clima mais hostil, especialmente durante a estação seca, marcada por temperaturas elevadas, ar seco e grande variação térmica ao longo do dia. Nessas condições, o número de internações e mortes por doenças do coração tende a aumentar de forma significativa.


Idosos concentram a maioria dos casos


Um dos pontos centrais do estudo é a maior vulnerabilidade da população idosa. Em Alta Floresta, pessoas com 60 anos ou mais responderam por 56,7% das internações e 80% dos óbitos por doenças cardiovasculares no período analisado. Já em Tangará da Serra, os idosos representaram mais de 77% das mortes registradas.


Segundo os pesquisadores, essa maior exposição ao risco está relacionada a fatores próprios do envelhecimento, como a redução da capacidade do organismo de regular a temperatura corporal, além do uso de medicamentos que interferem nos mecanismos de adaptação ao calor.


“O estudo aponta que os idosos foram mais vulneráveis nos períodos chuvoso e de transição, quando predominam ambientes mais quentes e úmidos, que dificultam a dissipação do calor corporal”, destacam os autores.


Esforço do corpo em ambientes extremos


O levantamento explica que o desconforto térmico ocorre quando o organismo encontra dificuldade para manter sua temperatura interna próxima dos 37 °C. Para isso, o corpo depende de mecanismos como a transpiração e a dilatação dos vasos sanguíneos. Em situações de calor excessivo, ar muito seco ou umidade elevada, esses processos podem se tornar ineficientes, gerando sobrecarga ao sistema cardiovascular.


De acordo com a pesquisa, o desconforto térmico é resultado da “dificuldade de dissipar ou reter calor”, podendo provocar alterações fisiológicas que agravam doenças cardiovasculares pré-existentes ou precipitam eventos graves, como infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC).


Em Alta Floresta, mais da metade dos dias analisados foi classificada em níveis de “cautela” ou superiores no Índice de Calor, que combina temperatura e umidade para medir o estresse térmico sobre o corpo humano. No período da tarde, especialmente por volta das 14 horas, os níveis de desconforto atingem patamares ainda mais elevados tanto em Alta Floresta quanto em Tangará da Serra.


Calor, desidratação e riscos à saúde


O estudo reforça alertas já conhecidos na área médica: o calor extremo, isoladamente, nem sempre é o causador direto de infartos, mas pode atuar como fator de descompensação em pessoas que já apresentam riscos cardiovasculares. A desidratação é um dos principais agravantes, pois reduz o volume de líquidos no organismo e pode tornar o sangue mais espesso, dificultando a circulação.


Além disso, mudanças recentes nas diretrizes de saúde ampliaram o grupo de pessoas consideradas em risco, ao incluir indivíduos com níveis de pressão arterial antes vistos como normais, reforçando a importância da prevenção e de hábitos de vida mais saudáveis.


Implicações para políticas públicas


Para os autores, compreender a relação entre clima e saúde é essencial diante do cenário de aumento das temperaturas e da intensificação de eventos climáticos extremos. O estudo destaca que os resultados podem contribuir diretamente para a formulação de políticas públicas voltadas à prevenção e ao manejo das doenças cardiovasculares, levando em conta os fatores climáticos locais.


Entre as possíveis estratégias estão ações de alerta em períodos de calor intenso, reforço na atenção à saúde da população idosa e planejamento urbano que ajude a reduzir os efeitos do calor extremo, especialmente em municípios com forte atividade agrícola.


O trabalho reforça que o clima não é apenas um elemento ambiental, mas um fator determinante para a saúde pública, com impactos diretos sobre a qualidade de vida e a mortalidade da população mato-grossense.


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