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Governo avança para pôr fim à escala 6x1 e quer transformar jornada 5x2 em regra; proposta inclui transição até 2028 e repercute em Mato Grosso

  • Foto do escritor: Oeste MT Urgente
    Oeste MT Urgente
  • 9 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura
Trabalhador olhando um calendário destacando a nova jornada 5x2 e 40 horas semanais.
Trabalhador olhando um calendário destacando a nova jornada 5x2 e 40 horas semanais.

O governo federal decidiu assumir o comando do debate nacional sobre o fim da escala 6×1 — seis dias de trabalho para apenas um de descanso — e iniciou, nesta semana, a articulação para apresentar um novo parecer à Câmara dos Deputados. Baseada em projetos já existentes, a proposta prevê a adoção da jornada 5×2 em todo o país, com limite de 40 horas semanais, distribuídas em oito horas por dia. A medida é tratada pelo Palácio do Planalto como uma das principais bandeiras trabalhistas para 2026.


O texto elaborado pelo Executivo estabelece uma transição gradual: redução para 42 horas semanais em 2027 e, finalmente, a adoção das 40 horas definitivas em 2028. O projeto também impede qualquer redução salarial, proíbe acordos individuais que flexibilizem direitos e garante dois dias consecutivos de descanso semanal — com obrigatoriedade de um domingo a cada três semanas. O comércio e outros setores de funcionamento contínuo terão regras de adaptação específicas.


A iniciativa ganhou força após um impasse na subcomissão que analisava a PEC 8/25. O parecer do relator, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), embora reduzisse a carga de 44 para 40 horas, mantinha a escala 6×1, o que desagradou o governo. Com o pedido de vista coletiva e o adiamento da votação, o Planalto decidiu apresentar seu próprio texto para acelerar o processo.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva designou o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, para conduzir a defesa do novo relatório diretamente no plenário da Câmara. O objetivo é aprovar o projeto antes da abertura do calendário eleitoral de 2026, reforçando o discurso de proteção e modernização das relações de trabalho.


Impacto direto em Mato Grosso


Em Mato Grosso, onde setores como agronegócio, mineração, transporte e comércio operam com intensa demanda logística e produtiva, a mudança tem repercutido fortemente. Cidades-polo como Cuiabá, Rondonópolis, Sorriso, Sapezal e Sinop concentram grande parte da mão de obra submetida à escala 6×1, especialmente em frigoríficos, fazendas, indústrias, redes varejistas e empresas de transporte — muitas delas funcionando 24 horas.


Sindicatos mato-grossenses avaliam que a jornada 5×2 pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, reduzindo desgaste físico, acidentes de trabalho e rotatividade, um dos grandes problemas do setor agroindustrial. Já empresários do Estado demonstram preocupação com possíveis aumentos de custos operacionais e reestruturação de turnos em atividades que não podem interromper a produção, como algodoeiras, armazéns, usinas e mineradoras.


Repercussão nacional


O debate dividiu opiniões em todo o país. Defensores afirmam que a proposta representa um avanço histórico, aproximando o Brasil de modelos de jornada adotados mundialmente e garantindo mais saúde e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Críticos apontam dúvidas sobre a viabilidade econômica, especialmente em setores dependentes de operação contínua e em empresas com grande número de funcionários.


A expectativa é de que o tema domine a agenda política e econômica do Congresso nos próximos meses, com forte participação de governadores, federações empresariais e centrais sindicais — entre elas, entidades de Mato Grosso, que já se mobilizam para influenciar o texto final.


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