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Greve dos caminhoneiros é confirmada e paralisação ganha força com apoio jurídico

  • Foto do escritor: Oeste MT Urgente
    Oeste MT Urgente
  • 3 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

O movimento de paralisação marcado pelos caminhoneiros para o dia 4 de dezembro reúne reivindicações estruturais da categoria e tenta se desvincular de bandeiras partidárias. Embora um jurista alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro tenha manifestado apoio à mobilização, líderes do setor afirmam que o foco da greve é exclusivamente trabalhista, voltado a melhorias nas condições de trabalho e na remuneração do transporte rodoviário.

Greve dos caminhoneiros 2025
Greve dos caminhoneiros 2025

Caminhoneiros de diversas regiões do país se articulam para uma paralisação nacional nesta quinta-feira (4/12). O movimento, que ganhou força nas redes sociais, conta com o apoio de entidades da categoria e do desembargador aposentado Sebastião Coelho. Embora a participação de figuras associadas ao bolsonarismo tenha levantado questionamentos, os organizadores insistem que a mobilização tem caráter estritamente trabalhista e busca melhorias estruturais para a profissão.


A convocação foi anunciada em vídeo por Chicão Caminhoneiro, da União Brasileira dos Caminhoneiros, ao lado de Sebastião Coelho. Ambos afirmaram que irão protocolar uma ação para assegurar respaldo jurídico à paralisação. A iniciativa busca garantir que o ato ocorra dentro da legalidade e que os participantes não sofram retaliações.


“Estaremos protocolando o movimento para trazermos a legalidade jurídica dessa ação que vamos iniciar a partir do dia 4 de dezembro. Teremos todo o suporte jurídico necessário para o ato e dentro da legalidade que a lei estabelece”, disse Chicão.


Sebastião Coelho, que recentemente defendeu uma paralisação pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou que estará ao lado dos caminhoneiros durante todo o processo. Segundo ele, a articulação “será um processo vitorioso para toda a categoria, diante da pauta que será apresentada”.


Reivindicações: demandas estruturais da categoria


Os organizadores reforçam que a paralisação não tem pauta política. A mobilização pretende chamar atenção para problemas que afetam diretamente os caminhoneiros, entre eles:

  • Garantia de estabilidade contratual para caminhoneiros autônomos;

  • Cumprimento efetivo da legislação do transporte de cargas;

  • Reestruturação do Marco Regulatório do Transporte de Cargas;

  • Aposentadoria especial após 25 anos de contribuição, com comprovação por documentos fiscais ou registros formais.


Daniel Souza, caminhoneiro e influenciador digital com quase 100 mil seguidores no TikTok, resumiu o cenário enfrentado pela categoria: “A realidade dos caminhoneiros está precária: baixa remuneração, leis impossíveis de cumprir por falta de estrutura e insegurança nas estradas. O respeito com a nossa classe acabou”.


Apoio, divergências e mobilização no setor


Apesar da forte adesão em várias regiões, o movimento não é unânime. Entidades regionais avaliam que o descontentamento generalizado pode impulsionar a greve. Para Janderson Maçaneiro, o “Patrola”, presidente da Associação Catarinense dos Transportadores Rodoviários de Cargas (ACTRC), a mobilização “tem força porque há muito descontentamento”.


Na Baixada Santista, porém, lideranças divergem. Marcelo Paz, presidente da Cooperativa dos Caminhoneiros Autônomos do Porto de Santos (CCAPS), afirma que não houve assembleia ou votação que legitimasse uma paralisação conjunta. “Para se ter uma movimentação dessas, precisa haver diálogo, assembleia e votação”, ponderou.


Memória de 2018 e tentativa de desvinculação política


A paralisação nacional de 2018 continua sendo a principal referência para a categoria. Naquele ano, a alta do diesel levou caminhoneiros a uma greve de dez dias, causando desabastecimento de combustíveis e alimentos em todo o país. O governo Michel Temer negociou parte das reivindicações e encerrou o movimento.


Agora, os organizadores tentam evitar vínculos partidários, apesar da presença de Sebastião Coelho. Eles insistem que a mobilização não é ligada ao bolsonarismo e se concentra em demandas por dignidade, segurança e melhores condições de trabalho. Para as lideranças, o foco é exclusivamente a sobrevivência da categoria em meio à precarização crescente do transporte rodoviário no Brasil.


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