Operação da PF destrói túneis, maquinários e acampamentos em garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em MT
- Oeste MT Urgente
- 12 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Ação faz parte da Operação Rondon – Fase Sete e segue sem prazo para terminar até a retirada total dos invasores

A Polícia Federal intensificou, nesta sexta-feira (12), as ações de combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, no sudoeste de Mato Grosso, e destruiu túneis, minas subterrâneas, maquinários pesados e dezenas de acampamentos clandestinos utilizados por garimpeiros ilegais.
A ofensiva integra a Operação Rondon – Fase Sete, que ocorre nos municípios de Pontes e Lacerda, Conquista D’Oeste e Vila Bela da Santíssima Trindade. Segundo a PF, os agentes permanecerão na região até a completa expulsão dos invasores, em cumprimento a uma determinação da Justiça Federal.
Durante a ação, foram inutilizados motores estacionários, geradores de energia, estruturas de apoio logístico e grandes quantidades de combustível, fundamentais para a manutenção das atividades ilegais. Até o momento, não há registro de feridos ou prisões, e os responsáveis pelos equipamentos ainda não foram identificados.
Facção criminosa atua no território indígena
A Terra Indígena Sararé tornou-se uma das áreas mais devastadas do país pela exploração ilegal de ouro. Nos últimos dois anos, a situação se agravou com a presença de integrantes da facção criminosa Comando Vermelho, que passaram a controlar parte do garimpo e a impor um ambiente de violência e intimidação armada.
De acordo com o Ibama, em outubro havia informações de que membros da facção permaneciam escondidos dentro do território indígena, fortemente armados. Parte desse grupo também é investigada por envolvimento na destruição causada pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
Naquela operação, mais de 100 escavadeiras hidráulicas foram destruídas, gerando um prejuízo estimado em R$ 226 milhões às organizações criminosas.
Bunkers, explosivos e logística clandestina
Nesta fase da operação em Sararé, as equipes localizaram 14 bunkers subterrâneos, usados como pontos de abrigo e armazenamento. Nos locais, foram encontrados estoques de alimentos, explosivos, ferramentas e diversos insumos utilizados na extração ilegal de ouro.
A Polícia Federal informou que irá rastrear a origem dos explosivos empregados na abertura das minas, com o objetivo de identificar financiadores e responsáveis pela cadeia criminosa.
Desintrusão sem prazo para acabar
A ação é coordenada pelo Ibama, em parceria com a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Força Nacional, Gefron, além das polícias Civil e Militar de Mato Grosso e Goiás.
A operação faz parte de um processo de desintrusão, termo usado para definir a retirada forçada de invasores de terras indígenas demarcadas e homologadas. Segundo as autoridades, não há prazo para o encerramento da ação, que seguirá enquanto houver presença ilegal no território.
🔍 O que é desintrusão?É o conjunto de medidas adotadas pelo governo federal para retirar invasores de terras indígenas, garantindo a proteção do território, dos povos originários e do meio ambiente.
Área devastada e conflitos armados
A Terra Indígena Sararé possui cerca de 67 mil hectares, dos quais mais de três mil já foram destruídos pela exploração ilegal de ouro. As forças de segurança suspeitam que aproximadamente dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas ainda atuem no local, o que aumenta o risco de conflitos armados.
Em quase dois meses de operação contínua, já foram destruídas mais de 160 escavadeiras, além de centenas de motores e estruturas de suporte logístico. Desde 2023, o número de escavadeiras neutralizadas na região ultrapassa 460 unidades, segundo dados oficiais.
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