Papa Leão XIV destaca beatificação de padre Nazareno Lanciotti e diz que missionário foi mártir dos pobres
- Gutemberg Araújo

- há 1 dia
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O Papa Leão XIV citou publicamente neste domingo (14), durante a tradicional oração do Angelus, realizada na Praça São Pedro, no Vaticano, a beatificação do padre Nazareno Lanciotti, celebrada no sábado (13) em Jauru, no interior de Mato Grosso.
Ao mencionar a cerimônia realizada no município mato-grossense, o pontífice destacou a trajetória do missionário italiano e afirmou que o novo beato foi reconhecido como mártir por sua dedicação à defesa dos mais pobres e vulneráveis, sempre guiado pelos princípios do Evangelho.
A declaração chamou atenção de fiéis brasileiros e ganhou grande repercussão após ser divulgada pelos canais oficiais do Vaticano.
Durante sua fala, o Papa ressaltou que o testemunho deixado por Nazareno Lanciotti permanece como exemplo de coragem e compromisso cristão.
“Ele também foi mártir porque, em nome do Evangelho, defendia os mais pobres. Que o exemplo e a intercessão desses corajosos testemunhos sustentem a missão dos presbíteros e de toda a Igreja”, afirmou o Papa Leão XIV.
Beatificação reuniu milhares de fiéis em Jauru
A cerimônia de beatificação aconteceu no sábado (13), em Jauru, município localizado a cerca de 406 quilômetros de Cuiabá, e reuniu aproximadamente 17 mil fiéis, em um dos maiores eventos religiosos já registrados na região Oeste de Mato Grosso.
O ato marcou oficialmente o reconhecimento da Igreja Católica ao sacerdote, assassinado em Mato Grosso no ano de 2001 e agora elevado à condição de beato.
A celebração foi presidida pelo cardeal João Braz de Aviz, prefeito emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.
Durante a cerimônia, foi lida a carta apostólica assinada pelo próprio Papa Leão XIV, documento que oficializou o processo de beatificação.
Quem foi padre Nazareno Lanciotti
Natural da Itália, Nazareno Lanciotti chegou ao município de Jauru em 1972, onde iniciou um extenso trabalho missionário, religioso e social.
Ao longo de décadas de atuação na região, fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar e se tornou uma das principais lideranças religiosas locais.
Além da evangelização, o sacerdote também passou a denunciar problemas graves enfrentados pela comunidade, incluindo exploração sexual de menores, prostituição e tráfico de drogas, temas que mobilizaram sua atuação pastoral e social.
Em 2001, padre Nazareno foi baleado dentro de sua própria residência. Ele chegou a receber atendimento médico, mas morreu dias depois em decorrência dos ferimentos.
Sua trajetória passou a ser reconhecida por setores da Igreja Católica como exemplo de fé, coragem e defesa da dignidade humana, culminando agora no reconhecimento oficial como beato.
Reconhecimento histórico para Mato Grosso
A beatificação de Nazareno Lanciotti representa um marco histórico não apenas para a Igreja Católica, mas também para Mato Grosso e especialmente para a população de Jauru, cidade que acompanhou de perto décadas de atuação do missionário.
A menção feita pelo Papa no Vaticano reforçou ainda mais a importância internacional da cerimônia realizada no município mato-grossense e emocionou milhares de fiéis que acompanham a história do novo beato.
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