Quando começa o inverno em 2026?
- Gutemberg Araújo

- 2 de jan.
- 4 min de leitura

O inverno de 2026 começa oficialmente no dia 21 de junho, às 23h30 (horário de Brasília), conforme cálculos astronômicos do Observatório Nacional e dados utilizados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A estação segue até o dia 22 de setembro de 2026, quando ocorre o equinócio da primavera no Hemisfério Sul.
Embora seja conhecido como a estação mais fria do ano, o inverno vai muito além da queda nas temperaturas. Ele altera padrões atmosféricos, influencia o regime de chuvas, afeta a saúde da população, interfere na agricultura, no consumo de energia e até no comportamento social.
Por que o inverno começa em 21 de junho?
O início do inverno é determinado por um fenômeno astronômico chamado solstício de inverno. Nesse momento, o Hemisfério Sul recebe a menor incidência de radiação solar direta ao longo do ano, devido à inclinação de aproximadamente 23,5° do eixo da Terra.
Isso provoca:
dias mais curtos
noites mais longas
menor aquecimento da superfície
resfriamento gradual da atmosfera
É essa combinação que caracteriza o inverno, e não apenas a sensação de frio.
Como o inverno altera o clima no Brasil?
O Brasil possui dimensões continentais, o que faz com que o inverno se manifeste de maneiras muito diferentes entre as regiões. Ainda assim, alguns padrões climáticos são comuns em grande parte do país.
❄️ Avanço de massas de ar frio
Durante o inverno, massas de ar polar originadas na Antártida avançam com mais frequência sobre a América do Sul. Essas massas entram pelo Sul do continente e podem atingir até áreas da Região Norte, causando o fenômeno conhecido como friagem.
Esses sistemas são responsáveis por:
quedas bruscas de temperatura
madrugadas frias
resfriamento prolongado em algumas regiões
O inverno corresponde ao período seco em grande parte do Brasil, especialmente nas regiões:
Centro-Oeste
Sudeste
Norte
Isso ocorre porque os sistemas que provocam chuva intensa (como a Zona de Convergência do Atlântico Sul) ficam menos ativos nessa época do ano.
Como consequência:
rios podem apresentar níveis mais baixos
reservatórios sofrem redução
há maior dependência de planejamento hídrico
🔥 Aumento do risco de queimadas
A combinação de:
pouca chuva
baixa umidade do ar
vegetação seca
faz do inverno o período mais crítico para incêndios florestais no Brasil. Biomas como o Cerrado, Pantanal e Amazônia ficam especialmente vulneráveis.
Dados históricos mostram que os picos de focos de calor ocorrem entre julho e setembro, auge do inverno e início da primavera.
Umidade do ar: um dos maiores problemas do inverno
Durante o inverno, a umidade relativa do ar pode cair para níveis considerados de alerta ou emergência pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Classificação:
acima de 60%: ideal
entre 30% e 20%: estado de atenção
abaixo de 20%: estado de alerta
Em várias cidades brasileiras, especialmente no interior, índices abaixo de 30% são frequentes, impactando diretamente a saúde.
Impactos do inverno na saúde da população
O inverno cria condições favoráveis para o aumento de doenças respiratórias e infecciosas. Entre os principais fatores estão:
ar seco
temperaturas mais baixas
maior permanência em ambientes fechados
As doenças mais comuns nesse período incluem:
gripes e resfriados
crises de asma e bronquite
sinusite e rinite
infecções virais
Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas formam o grupo mais vulnerável.
Inverno e agricultura: desafios e oportunidades
O inverno tem papel estratégico na produção agrícola brasileira. Enquanto algumas culturas se beneficiam do clima mais seco, outras exigem manejo específico.
Principais impactos:
redução de pragas em algumas lavouras
necessidade de irrigação em regiões secas
risco de geadas em áreas do Sul e Sudeste
planejamento da próxima safra
No Sul do país, geadas podem causar prejuízos significativos, enquanto no Centro-Oeste o desafio principal é a escassez hídrica e o risco de incêndios em áreas rurais.
Consumo de energia e mudanças no cotidiano
O inverno também influencia o comportamento da população e o consumo de energia elétrica:
aumento do uso de chuveiros elétricos
maior consumo de aquecedores
mudanças nos horários de atividades
Em regiões mais frias, o impacto no sistema elétrico pode ser relevante, exigindo monitoramento constante do setor energético.
O inverno é igual todos os anos?
Não. A intensidade do inverno pode variar de acordo com fenômenos climáticos globais, como:
El Niño (tende a deixar o inverno mais seco e menos frio em algumas regiões)
La Niña (pode intensificar o frio e aumentar a frequência de frentes frias)
Esses eventos influenciam diretamente a distribuição das chuvas e das temperaturas no Brasil.
Inverno no Brasil: uma estação de contrastes
Mesmo sendo uma única estação, o inverno brasileiro se manifesta de formas muito diferentes:
Sul: frio intenso, geadas frequentes e possibilidade de neve em situações excepcionais
Sudeste: madrugadas frias, tardes amenas e tempo seco
Centro-Oeste: calor durante o dia, noites mais frescas e umidade muito baixa
Norte: redução das chuvas e ocorrência de friagens em alguns estados
Nordeste: poucas quedas de temperatura, com chuvas concentradas no litoral
Essa diversidade climática faz do inverno brasileiro uma estação marcada mais pela seca e pelo ar frio do que por frio extremo generalizado.
O inverno de 2026 começa em 21 de junho e se estende até 22 de setembro, trazendo mudanças profundas no clima e no cotidiano dos brasileiros. Mais do que temperaturas baixas, a estação é marcada pela redução das chuvas, baixa umidade do ar, riscos ambientais e impactos diretos na saúde, agricultura e economia.
Compreender o funcionamento do inverno é essencial para o planejamento público, rural e individual, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil.



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