Sinal de Frank: marca na orelha pode indicar risco cardíaco? O que a ciência realmente diz
- Oeste MT Urgente
- há 15 horas
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Depois da confirmação de que o empresário e influenciador Henrique Maderite morreu em decorrência de um infarto fulminante, um detalhe observado em imagens públicas passou a despertar curiosidade: uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, conhecida como sinal de Frank.
Descrita pela primeira vez em 1973 pelo médico Sanders T. Frank, essa marca ganhou atenção por uma possível associação com doença arterial coronariana. Mas afinal, o que a ciência já comprovou sobre isso?
Especialistas em cardiologia explicam que o sinal pode funcionar como um alerta visual, mas está longe de ser um diagnóstico.
O que os estudos mostram
Revisões científicas apontam que a marca pode estar presente em 30% a 40% da população geral. Entre pessoas com doença coronariana confirmada, esse número sobe para 70% a 80%.
Para o cardiologista Silvio Póvoa Jr., do Instituto Dante Pazzanese e do Hospital Israelita Albert Einstein, o achado precisa ser interpretado com cautela.
“O sinal de Frank não é, isoladamente, um fator de risco. Ter a marca não significa que a pessoa tem doença coronariana”, explica.
A cardiologista Fernanda Weiler, do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, reforça que o sinal pode ser apenas um achado adicional, que ganha relevância quando aparece junto a fatores clássicos como hipertensão, colesterol alto, diabetes e tabagismo.
Já Paulo Behr, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, lembra que metanálises mostram associação estatística mais forte em pessoas com menos de 60 anos — mas destaca que o sinal não faz parte de nenhuma escala oficial de cálculo de risco cardiovascular.
Qual seria a explicação?
Ainda não há consenso sobre o mecanismo exato, mas há hipóteses:
Relação com o envelhecimento da pele e dos vasos sanguíneos
Alterações microvasculares, semelhantes às que ocorrem em quem tem infarto ou AVC
Indícios de envelhecimento biológico acelerado e disfunção endotelial
Um estudo recente publicado na World Neurosurgery: X também encontrou associação entre o sinal de Frank e aneurismas intracranianos, outra condição ligada à aterosclerose.
É fator de risco?
A resposta dos especialistas é direta: não é considerado fator de risco independente.
Parâmetros como pressão arterial, níveis de colesterol, glicemia, histórico familiar e tabagismo continuam sendo muito mais determinantes na avaliação médica.
“Tenho o sinal. E agora?”
A orientação é simples: calma.
O sinal pode servir como um lembrete para procurar avaliação médica, especialmente em homens jovens, pessoas com histórico familiar ou com exames no limite.
O foco deve permanecer no que já é comprovado: manter hábitos saudáveis, praticar atividade física, cuidar da alimentação, controlar o estresse e fazer acompanhamento regular da saúde cardiovascular.
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