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Taxa das blusinhas: entenda o que mudou, quanto pesa no bolso e os impactos em Mato Grosso e no Brasil

  • Foto do escritor: Gutemberg Araújo
    Gutemberg Araújo
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura
taxa das blusinhas mt
Taxa das blusinhas MT

A chamada “taxa das blusinhas” continua sendo um dos assuntos mais comentados entre consumidores brasileiros, especialmente entre quem costumava comprar roupas, eletrônicos, acessórios e produtos baratos em sites internacionais como Shein, Shopee e AliExpress.


O apelido surgiu nas redes sociais após o governo federal passar a cobrar imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, faixa que anteriormente tinha tributação reduzida ou escapava da fiscalização em muitos casos. Desde então, consumidores de Mato Grosso e de todo o Brasil relatam aumento significativo no valor final das compras.


O que mudou na prática


Atualmente, compras internacionais realizadas em plataformas participantes do programa Remessa Conforme passaram a ter cobrança automática de tributos já no momento da compra.

Hoje, a tributação funciona assim:

Tipo de cobrança

Percentual

Imposto de Importação Federal

20%

ICMS estadual

cerca de 17% a 20%, dependendo do estado

Compras acima de US$ 50

tributação ainda maior


Na prática, um produto barato acaba ficando muito mais caro após a soma dos impostos.

Exemplo real

Produto

Valor inicial

Blusa importada

R$ 100

Imposto federal (20%)

+ R$ 20

ICMS médio (17%)

+ R$ 20,40

Valor final aproximado

R$ 140,40

Ou seja, uma compra considerada “barata” pode ficar quase 40% mais cara.


Existe diferença de cobrança entre os estados?


Sim. O ICMS é estadual, e isso faz diferença no valor final.

Nos últimos meses, vários estados aumentaram a alíquota do ICMS das compras internacionais para 20%. Mato Grosso acompanha as decisões tomadas pelo Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda (Comsefaz), e o percentual pode variar conforme mudanças aprovadas pelos estados.


Exemplos de ICMS em alguns estados

Estado

ICMS aproximado

Mato Grosso

17%

São Paulo

17%

Minas Gerais

20%

Bahia

20%

Ceará

20%

Rio de Janeiro

20%

Essa diferença faz com que consumidores de alguns estados paguem mais caro que outros na mesma compra.


O que o governo federal diz sobre a taxa


O governo Lula afirma que a medida busca “corrigir injustiças tributárias” e combater concorrência considerada desleal contra empresas brasileiras.

Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, muitas empresas nacionais pagavam altos impostos enquanto produtos importados chegavam ao país praticamente sem tributação.

Lula declarou em entrevistas que não é contra compras internacionais, mas defende “igualdade de concorrência” entre varejistas brasileiros e plataformas estrangeiras.


O que o ministro da Fazenda diz


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou diversas vezes que a intenção do governo não seria “criar um novo imposto”, mas sim fiscalizar e regulamentar cobranças que já existiam na legislação brasileira.


Segundo Haddad, muitas encomendas entravam no país com valores declarados abaixo do real para escapar da tributação. O programa Remessa Conforme teria sido criado justamente para aumentar controle, arrecadação e transparência.


O ministro também afirmou que parte da arrecadação ajuda no equilíbrio das contas públicas.

Quanto o governo arrecadou


A arrecadação com compras internacionais cresceu fortemente após as novas regras.

Dados divulgados pelo Ministério da Fazenda mostram aumento bilionário na arrecadação federal relacionada às importações de pequeno valor. O crescimento ocorreu principalmente após a entrada de grandes plataformas no programa Remessa Conforme.

Especialistas apontam que o governo conseguiu aumentar a fiscalização sem precisar barrar totalmente as compras internacionais.


Impacto na economia brasileira

Economistas afirmam que os efeitos foram sentidos em vários setores:


Impactos positivos apontados pelo governo e varejo nacional

  • Aumento da arrecadação federal e estadual;

  • Maior competitividade para lojas brasileiras;

  • Crescimento das vendas em parte do varejo nacional;

  • Maior fiscalização sobre importações.


Impactos negativos apontados por consumidores

  • Produtos mais caros;

  • Redução do poder de compra;

  • Queda nas compras internacionais;

  • Dificuldade para pequenos revendedores online.


Em Mato Grosso, muitos consumidores que compravam roupas, peças eletrônicas e acessórios baratos pela internet passaram a pesquisar mais antes de finalizar pedidos.


Plataformas estrangeiras começaram a mudar estratégia


Após as novas regras, empresas como Shein e Shopee passaram a investir mais em vendedores brasileiros e centros de distribuição dentro do país.


A estratégia tenta reduzir custos de importação e acelerar entregas.

A Shein, por exemplo, anunciou expansão de produção nacional em parceria com fabricantes brasileiros. Já a Shopee aumentou a presença de lojistas locais dentro da plataforma.


O que pode acontecer daqui para frente


O tema ainda continua em debate no Congresso Nacional e entre governos estaduais.

Setores do varejo defendem manutenção ou até aumento da tributação. Já consumidores e influenciadores digitais pressionam por redução dos impostos nas compras internacionais.

Especialistas acreditam que o Brasil pode caminhar para um modelo mais rígido de fiscalização digital das importações, mas ainda há pressão popular para aliviar a cobrança em compras de baixo valor.

Enquanto isso, a “taxa das blusinhas” segue impactando diretamente o bolso dos brasileiros — inclusive em Mato Grosso, onde milhares de consumidores utilizavam plataformas internacionais para economizar nas compras do dia a dia.

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