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Bugres do Mato Grosso: memória indígena e a formação histórica de Cáceres e do Pantanal

  • Foto do escritor: Gutemberg Araújo
    Gutemberg Araújo
  • 18 de jan.
  • 2 min de leitura
Bugres do Mato Grosso
Bugres do Mato Grosso

A história do Mato Grosso é anterior à colonização portuguesa e à formação das cidades atuais. Muito antes de Cáceres existir como município, a região do Pantanal já era habitada por povos indígenas, entre eles os Guató, considerados um dos grupos mais antigos da área alagável do Alto Paraguai. Naquele período, o Pantanal era conhecido como Mar de Xaraés, denominação usada por exploradores europeus ao se depararem com a vasta planície inundável.


Os Guató desenvolveram uma relação profunda com o ambiente pantaneiro. Viviam às margens dos rios, dominavam a navegação em canoas, a pesca, a caça e o manejo dos ciclos das cheias e secas. Sua organização social e modo de vida estavam diretamente ligados ao ritmo da natureza, o que garantiu sua permanência na região por séculos.


Com o avanço da colonização, da pecuária e da ocupação territorial, esses povos passaram a sofrer processos de expulsão, miscigenação forçada e apagamento cultural. Durante muito tempo, indígenas e seus descendentes foram chamados de “bugres”, termo historicamente utilizado para se referir aos povos originários. A palavra carregava estigmas de inferiorização e serviu como instrumento de exclusão social.


Apesar disso, a presença indígena nunca desapareceu. Em Cáceres e em outras cidades do sudoeste mato-grossense, é comum encontrar pessoas com traços físicos e culturais que remetem diretamente aos povos originários da região, resultado de gerações de descendência indígena incorporadas à população local. Estudos genéticos, registros históricos e a memória oral confirmam que grande parte da população carrega esse legado.


Nas últimas décadas, observa-se um movimento de ressignificação do termo “bugre”, que em alguns contextos passa a ser associado à identidade regional, à resistência e ao orgulho das raízes indígenas. Esse processo acompanha uma valorização maior da história dos povos originários e de sua contribuição para a formação social e cultural do Mato Grosso.


A presença indígena também se reflete na vida pública e cultural do estado. Descendentes de povos originários atuam em diversas áreas, incluindo comunicação, educação e pesquisa histórica, ajudando a manter viva a memória de grupos como os Guató e a corrigir distorções do passado.


Resgatar imagens, relatos e documentos sobre os antigos habitantes do Pantanal não é apenas um exercício de memória, mas uma forma de compreender a verdadeira formação do Mato Grosso. A história da região não começa com a chegada dos colonizadores, mas com os povos que já viviam ali, conheciam o território e deixaram marcas profundas que permanecem até hoje na população, na cultura e na identidade pantaneira.


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