Conflitos no Exterior e Alta do Ouro Impulsionam Invasões na TI Sararé (MT)
- Oeste MT Urgente
- há 1 dia
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PONTES E LACERDA – A escalada dos conflitos no Oriente Médio e a instabilidade econômica global estão provocando um efeito colateral devastador no interior de Mato Grosso. Com o ouro superando a marca histórica de US$ 5 mil por onça, a Terra Indígena (TI) Sararé tornou-se o epicentro de uma nova "corrida do ouro", atraindo garimpeiros ilegais e desafiando as forças de segurança.
O "Gatilho" Econômico e a Euforia no Garimpo
A valorização do metal como ativo de segurança — intensificada após ataques recentes entre Estados Unidos, Israel e Irã — ecoa diretamente na floresta. Áudios obtidos pelo g1 revelam o entusiasmo de invasores com os preços recordes.
"O negócio é celebrar. O ouro está bom de preço! Quem aproveitou, aproveitou, quem não aproveitou espera a poeira abaixar", diz um dos garimpeiros em mensagem interceptada.
Ofensiva de Segurança e Crime Organizado
A região, uma das mais degradadas da Amazônia Legal, enfrenta não apenas o dano ambiental, mas a presença do crime organizado. Investigações da Polícia Civil indicam que o território é dominado pela facção Comando Vermelho.
Para conter a invasão, o Exército, em conjunto com órgãos de fiscalização, deflagrou uma operação que já resultou em:
51 detidos desde a última quarta-feira (25).
40 máquinas destruídas em um único dia pelo Ibama (recorde operacional).
Redução de 20% na área degradada em relação ao período 2024/2025, fruto da intensificação do monitoramento.
Geopolítica: Por que o ouro subiu tanto?
Especialistas apontam que a alta não é apenas fruto da guerra, mas de um cenário de incertezas que se arrasta desde a posse de Donald Trump nos EUA, em 2024.
Fator de Influência | Impacto no Mercado |
Conflito Irã-Israel | Busca imediata por ativos de proteção (ouro). |
Cenário Político EUA | Enfraquecimento do dólar e incerteza institucional. |
Demanda da China | Pressão compradora que mantém o preço elevado. |
Segundo Livio Ribeiro, pesquisador da FGV-IBRE, o cenário de proteção deve continuar: "Estruturas de extração que antes eram caras tornam-se viáveis com o preço nesse patamar. Isso faz o mercado florescer, tanto o legal quanto o ilegal".
Desafios Ambientais e Sociais
O chefe de operações da Polícia Federal no território, Rodrigo Vitorino Aguiar, alerta que o monitoramento é constante, mas o incentivo financeiro da alta do metal pressiona as fronteiras indígenas. O governo federal prometeu entregar, ainda este mês, um plano definitivo para a desintrusão (expulsão de invasores) da TI Sararé.
Para o Diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Jair Smith, o combate é permanente e não pode ser pautado apenas pela bolsa de valores: "A relação causal não é imediata, mas o ouro alto torna o crime mais atrativo. O prejuízo ambiental, especialmente no garimpo de aluvião, é a nossa maior preocupação".
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