Eleições 2026 em MT: Como os "Barões do Agro" Dominam as Suplências e Blindam as Chapas ao Senado
- Gutemberg Araújo

- há 18 horas
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As movimentações de bastidores para as eleições de 2026 em Mato Grosso deixam claro que o verdadeiro poder político no estado não caminha descolado da força econômica do campo. Antes mesmo que as convenções partidárias oficializem as candidaturas, o desenho das chapas majoritárias revela um padrão inquestionável: os chamados "barões do agro" assumiram o papel de fiadores e primeiros suplentes nas principais frentes que disputam as vagas ao Senado Federal.
Mato Grosso, conhecido mundialmente como o motor do agronegócio brasileiro, vive uma realidade em que a política e a produção rural se fundem. Mais do que apoiar financeiramente ou ceder votos, os grandes empresários do setor agora exigem — e conquistam — assento direto na linha de sucessão do Legislativo Federal. Com duas cadeiras em disputa para o Senado em 2026, as vagas de suplente tornaram-se ativos políticos valiosíssimos, funcionando como uma espécie de "seguro de alta fidelidade" para os titulares e um passaporte direto para Brasília.
Abaixo, analisamos detalhadamente a composição dessas chapas, o perfil dos bilionários e influenciadores do campo que estão moldando o futuro político mato-grossense e o impacto dessa estratégia na corrida eleitoral.
O Peso Estratégico da Suplência: Por Que o Agro Quer a Cadeira Reservada?
Para compreender a corrida pelas suplências em Mato Grosso, é preciso olhar para o histórico recente do estado. A cadeira de suplente de senador no Brasil frequentemente deixa de ser uma figura decorativa para se tornar o ator principal. Casos em que o titular se licencia para assumir ministérios, secretarias de Estado ou para focar em campanhas ao governo são comuns.
Para os grandes produtores rurais e investidores do agronegócio, figurar como primeiro suplente é uma jogada de mestre:
Acesso Direto ao Poder: Permite influenciar a legislação nacional (crédito rural, defensivos agrícolas, direito de propriedade) sem a necessidade de passar pelo desgaste ou pela exposição de uma campanha como cabeça de chapa.
Garantia de Investimento: O financiamento de campanha, historicamente pesado em Mato Grosso, passa a ter uma contrapartida direta de representação.
Estabilidade de Agenda: Garante que, independentemente do destino político do titular, a pauta do agronegócio continuará defendida por alguém que vive a realidade do campo.
Os Nomes do Agronegócio que Vão Compor as Chapas ao Senado em 2026
As costuras políticas uniram parlamentares de carreira, ex-governadores e líderes do setor produtivo. Conheça quem são os primeiros suplentes confirmados e cotados para a disputa.
Odilio Balbinotti e José Medeiros: A Força do PL e do Sementeiro de Rondonópolis
Na ala mais alinhada ao conservadorismo e à direita tradicional, a chapa liderada pelo deputado federal e pré-candidato ao Senado José Medeiros (PL) garantiu o apoio de peso do empresário Odilio Balbinotti (PL) como primeiro suplente.
Balbinotti é um dos nomes mais robustos do empresariado agrícola mato-grossense, amplamente conhecido por sua atuação no Grupo Atto (antiga Sementes Adriana), gigante do setor de sementes com base em Rondonópolis. Além de sua relevância econômica, ele se consolidou nos últimos anos como uma das lideranças políticas mais influentes dos bastidores da direita no estado, atuando como um articulador estratégico e grande incentivador de novas lideranças alinhadas à pauta do livre mercado e da defesa irrestrita da propriedade privada. Sua presença na chapa de Medeiros traz solidez financeira e forte capilaridade entre os produtores do sul e sudeste do estado.
Carlos Ernesto Augustin (Teti) e Pedro Taques: A Aliança do PSB com o Governo Federal
Em uma articulação que visa pontuar tanto no eleitorado de centro-esquerda quanto no empresariado moderado, o ex-governador Pedro Taques (PSB) fechou sua primeira suplência com Carlos Ernesto Augustin, o popular Teti.
Teti possui um currículo que transita muito bem entre as máquinas governamentais e as lavouras. Ele atuou como secretário especial do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e é reconhecido como um interlocutor vital do setor produtivo com o governo federal. Sua indicação pelo PSB cumpre uma dupla função: suavizar a resistência que parte do agro mato-grossense possui com o governo central e garantir que as demandas de logística, crédito e exportação tenham um canal direto de diálogo em Brasília.
Cidinho Santos e Mauro Mendes: O Retorno do Articulador Político do União Brasil
A chapa do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), que desponta como um dos nomes fortes na briga pelas duas vagas do Senado, terá como primeiro suplente um velho conhecido dos corredores do Congresso: o empresário Cidinho Santos (PP).
Cidinho é um gigante no setor da avicultura e da agroindústria, mas seu grande diferencial é o trquejo político. Ele já exerceu o mandato de senador entre 2016 e 2019, assumindo a cadeira justamente quando o titular, o ex-governador Blairo Maggi, licenciou-se para comandar o Ministério da Agricultura. Uma das principais lideranças da Federação União Progressista, Cidinho Santos traz para a chapa de Mauro Mendes não apenas o estofo econômico do agro, mas uma capacidade de articulação política essencial para costurar apoios partidários em dezenas de municípios mato-grossenses.
Alexandre Schenkel e Carlos Fávaro: A Continuidade do PSD no Campo
O atual senador e pré-candidato à reeleição, Carlos Fávaro (PSD), buscou na liderança de classe a chancela para sua chapa. O escolhido para a primeira suplência é Alexandre Schenkel (PSD), ex-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
Schenkel é uma figura de enorme prestígio institucional dentro do agronegócio. Com passagens marcantes pela diretoria da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), ele representa a espinha dorsal da produção de commodities do estado. A escolha de Schenkel é estratégica para Fávaro, que, ao equilibrar suas funções políticas na Esplanada dos Ministérios, ganha um suplente que fala a língua técnica do produtor de soja, milho e algodão, as três principais culturas econômicas de Mato Grosso.
Novos Atores e Movimentações de Peso nos Bastidores
Além das chapas já consolidadas entre os favoritos, o tabuleiro político de Mato Grosso apresenta outras frentes importantes onde o agronegócio dita as regras do jogo.
Antônio Frange Júnior e Janaina Riva: O Agro de Elite e Cavalos de Raça
Na chapa liderada pela deputada estadual e pré-candidata ao Senado Janaina Riva (MDB), o nome mais cotado para a primeira suplência é o do advogado e empresário Antônio Frange Júnior.
Diferente de outros nomes focados estritamente na produção de grãos em larga escala, Frange se destaca fortemente na pecuária de corte e no segmento de criação de cavalos de alto padrão. Ele é presença constante e influente nos leilões e competições de elite do estado. Essa diversificação empresarial confere a Frange um trânsito diferenciado entre os pecuaristas tradicionais de Mato Grosso, um nicho eleitoral altamente mobilizado e com forte poder econômico.
Euclides Ribeiro: A Voz da Recuperação Judicial no Campo
Em sua estreia na política, durante a eleição suplementar de 2020, Ribeiro surpreendeu ao conquistar mais de 58,2 mil votos. Sua plataforma foca em uma das dores mais latentes do produtor atual: o endividamento e a necessidade de reformulação das regras do crédito rural. Ele se posiciona como um defensor técnico do campo contra os abusos do sistema financeiro tradicional.
O Desafio da Agricultura Familiar e a Incomum Aliança na Baixada Cuiabana
Se as grandes propriedades comandam as suplências ao Senado, a disputa pelo Governo do Estado e a costura das vice-governadorias também trazem o agro para o centro das discussões, mas sob uma ótica diferente.
A Federação Brasil da Esperança (composta por PT, PCdoB e PV) indicou o vereador por Rondonópolis, Wendell Girotto (PT), para compor como vice na chapa liderada pela médica Natasha Slhessarenko (PSD). Girotto possui uma trajetória marcada pelo ativismo na reforma agrária e pela defesa intransigente da agricultura familiar.
A escolha de um nome ligado aos pequenos produtores para uma chapa majoritária de centro é vista por analistas políticos como um movimento cirúrgico. O objetivo é tentar abrir canais de diálogo e reduzir as resistências históricas que o agronegócio empresarial e de larga escala possui em relação a candidaturas de espectro progressista. Mostra que o agro, mesmo em suas vertentes menores, é o filtro pelo qual toda candidatura ao Palácio Paiaguás precisa passar.
Veteranos Diretos: O Agro na Cabeça de Chapa
Para além das suplências e vices, a liderança direta do agronegócio está personificada nos pré-candidatos que disputarão as vagas principais para o Governo e para o Senado:
Candidato | Cargo Pretendido | Perfil e Vínculo com o Agronegócio |
Otaviano Pivetta (Republicanos) | Governador (Reeleição) | Produtor rural histórico e empresário do setor em Lucas do Rio Verde desde a década de 1980. |
Wellington Fagundes (PL) | Governador / Senado | Parlamentar veterano com forte base de apoio junto ao setor produtivo e cooperativas. |
Carlos Fávaro (PSD) | Senador (Reeleição) | Ex-presidente da Aprosoja-MT e ex-ministro da Agricultura e Pecuária. |
Antonio Galvan (Avante) | Senador | Produtor rural e ex-presidente da Aprosoja-MT, com discurso focado na base do campo. |
Cenário Eleitoral 2026: O Campo Como Destino Final do Poder Político
O desenho das eleições de 2026 em Mato Grosso comprova que o agronegócio atingiu a sua maturidade política total. O setor entendeu que não basta influenciar as eleições de fora para dentro; é preciso ocupar os cargos, ditar as suplências e garantir que as cadeiras mais importantes do Congresso Nacional tenham o DNA da terra.
Com bilionários das sementes, ex-presidentes de associações de algodão e soja, e especialistas em crédito rural divididos entre as chapas de direita, centro e esquerda, uma coisa é matematicamente exata: independentemente de quais partidos saiam vitoriosos nas urnas, o agronegócio de Mato Grosso já garantiu a sua vitória e a sua permanência no topo do poder político do estado.
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