Família Riva perde nas urnas e ficará sem mandato em Mato Grosso após 32 anos


Pela primeira vez em mais de três décadas, a família Riva ficará sem um integrante ocupando mandato eletivo em Mato Grosso. O resultado das eleições deste domingo (4) interrompe uma sequência iniciada em 1994, quando José Riva conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
O fim do ciclo ocorre após as derrotas de Janaina Riva (MDB), candidata ao Senado, e de sua irmã Jéssica Riva (MDB), que tentou conquistar uma das 24 vagas de deputada estadual.
Janaina é deputada estadual desde 2015 e decidiu deixar a disputa pela reeleição para tentar uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado. Com quase 90% das urnas apuradas, ela aparecia na terceira colocação, com cerca de 14,3% dos votos válidos.
Mauro Mendes (União) e José Medeiros (PL) ficaram com as duas vagas em disputa.
Durante a campanha, Janaina apareceu competitiva em pesquisas de intenção de voto e chegou ao dia da eleição demonstrando confiança em uma vitória. O resultado das urnas, entretanto, foi diferente.
A campanha da deputada também enfrentou críticas dos adversários. Entre os assuntos explorados estavam a composição de sua chapa e a trajetória política de seu pai, o ex-deputado estadual José Riva.
Danilo Berndt Trento, escolhido como suplente, ganhou projeção nacional durante a CPI da Pandemia. Outro suplente, Rafael Yamada Torres, teve seu histórico judicial citado por adversários durante a campanha.
O passado de José Riva também voltou ao centro do debate eleitoral. O ex-deputado, que deixou a vida eleitoral em 2014, enfrentou processos relacionados à administração pública, chegou a ser preso e posteriormente firmou acordo de colaboração premiada, assumindo o compromisso de devolver R$ 92 milhões aos cofres públicos.
Durante a disputa, adversários de Janaina usaram a trajetória do pai para questionar uma possível influência de José Riva caso ela chegasse ao Senado.
José Medeiros também atacou a adversária ao chamá-la de "candidata do STF" e mencionar uma suposta "ajudinha do Xandão". As declarações faziam referência a uma decisão do Supremo Tribunal Federal envolvendo a divisão do tempo de propaganda eleitoral da coligação Coração da Gente.
Jéssica Riva também não consegue se eleger
Enquanto Janaina buscava chegar ao Senado, sua irmã, Jéssica Riva, tentou conquistar pela primeira vez um mandato eletivo.
Jéssica entrou na disputa pelo MDB e concorreu a deputada estadual. Seu nome ganhou força na reta final da pré-campanha. Inicialmente, ela chegou a ser cogitada para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas acabou concorrendo à Assembleia Legislativa.
Nas urnas, porém, não conseguiu conquistar uma das 24 vagas.
Com isso, Janaina encerrará seu atual mandato na Assembleia Legislativa em 31 de janeiro de 2027 e, a partir de fevereiro, a família ficará sem representante com mandato eletivo no estado.
Ciclo político começou com José Riva em 1994
A presença da família no poder estadual começou em 1994, com a eleição de José Riva para deputado estadual.
Ele permaneceu aproximadamente duas décadas na Assembleia Legislativa e se tornou uma das figuras mais influentes da política mato-grossense. Durante sua trajetória, ocupou cargos importantes na Mesa Diretora, incluindo a Presidência e a Primeira-Secretaria da Casa.
Depois da saída de José Riva da disputa eleitoral, Janaina manteve a família presente na política estadual ao conquistar seu primeiro mandato de deputada em 2014, assumindo a cadeira em 2015.
Agora, com Janaina derrotada para o Senado e Jéssica fora das vagas da Assembleia Legislativa, chega ao fim uma sequência de 32 anos de presença da família Riva em mandatos eletivos em Mato Grosso.
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