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MPE aponta indícios de compra de votos em cidade de MT após analisar extratos bancários

  • Foto do escritor: Gutemberg Araújo
    Gutemberg Araújo
  • 2 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura
Em cidade de MT, prefeito Osmar Froner, vereador Gilberto Mello e vice Carlos Eduardo são citados em indícios de compra de votos, diz MPE
Em cidade de MT, prefeito Osmar Froner, vereador Gilberto Mello e vice Carlos Eduardo são citados em indícios de compra de votos, diz MPE

A investigação conduzida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que resultou no pedido de cassação dos registros de candidatura e dos diplomas do prefeito de Chapada dos Guimarães, Osmar Froner (União), do vice Carlos Eduardo (PSD) e do vereador Gilberto Mello (PL), revelou um amplo conjunto de documentos, extratos bancários, depósitos, PIX e depoimentos que sustentam a acusação de abuso de poder econômico e compra de votos.


Um dos envolvidos citados na ação recebeu duas transferências significativas: R$ 10.000,00 e R$ 32.500,00.


A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), em tramitação na 34ª Zona Eleitoral de Chapada dos Guimarães, aponta para um suposto esquema organizado de captação ilícita de sufrágio, pagamentos irregulares e possível caixa paralelo na campanha dos então candidatos.


O ex-coordenador da campanha, Rogério de Araújo Pereira, declarou em escritura pública que havia um esquema de compra de votos por R$ 1.000 por família, apoiado por listas com dados completos de eleitores e anotações suspeitas, além de relatar a distribuição de valores.


Três pilares da investigação


O MPE estruturou suas conclusões com base em três elementos:

  1. Uso de fichas detalhadas de cadastro de eleitores

  2. Diferença expressiva entre os cadastrados e os efetivamente contratados

  3. Transferências e movimentações bancárias compatíveis com compra direta de votos e caixa 2


100 fichas, 4 contratados


As fichas analisadas continham dados completos de mais de cem eleitores — nomes, endereços, telefones, cópias de documentos e até títulos de parentes, supostamente para mapear famílias inteiras.


Algumas traziam anotações como: “filha de família grande” e “+ família do Acorá. Pai, mãe +1. Já pegou R$ 200”.


Apesar disso, o cruzamento com as prestações de contas mostrou que apenas quatro pessoas foram contratadas, todas pela campanha do vereador Gilberto Mello. Na campanha do prefeito Osmar Froner, nenhum nome das fichas aparece como contratado.


Para o MPE, isso indica que o cadastro não tinha finalidade laboral, mas sim eleitoral.


Quebra de sigilo e o papel do suposto operador financeiro


A investigação apontou ainda o empresário Guilherme Henrique de Oliveira Costa, o “Guila”, dono do Guila Grill, como possível operador financeiro da campanha.


A quebra de sigilo bancário revelou:

  • saques expressivos, incluindo um de R$ 50 mil;

  • PIX e transferências para coordenadores e apoiadores;

  • repasses a nomes citados nas fichas e na denúncia inicial.


Entre os beneficiados estão:

  • A.G. (administrador financeiro): R$ 12.570

  • R.A. (denunciante): R$ 3.000

  • M.F. (coordenadora): R$ 4.000

  • R.M.: R$ 10.000 e R$ 32.500

  • J.L. (esposa de eleitor denunciante): dois PIX de R$ 2.500

Para o MPE, os valores são incompatíveis com a prestação de contas oficial e reforçam a suspeita de um caixa 2.


Pagamento direto por votos


O caso do casal I.A. e J.L. é destacado como exemplo de compra direta de votos.Segundo o MPE, os dois receberam R$ 5 mil do vereador Gilberto Mello, pagos em duas parcelas via depósito na conta da esposa.


Os comprovantes estão anexados à investigação, e um depoimento relata que os pagamentos ocorreram quinze dias e uma semana antes da eleição.


Estrutura organizada para compra de votos


Com base no conjunto de evidências — fichas, extratos, anotações, depósitos e depoimentos —, o MPE conclui que havia uma estrutura organizada para:

  • cadastrar e mapear famílias de eleitores;

  • realizar pagamentos irregulares;

  • efetuar compra direta de votos;

  • movimentar recursos paralelos por meio de operador não declarado.


Segundo o órgão, o esquema teria afetado diretamente a normalidade e a legitimidade das eleições em Chapada dos Guimarães.


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